Os porcos são como as palavras que saem de sua boca
Tão sujas e tão cheias de orgulho por não saberem o que são
Vejo toda a lama que cerca os seus dentes e escorre pelos seus lábios
No seu beijo fui capaz de sentir o gosto da lavagem que sua língua carrega
Mas é da sua hipocrisia e mentira que sinto mais nojo
Não sei mais acreditar no seu olhar de enganosa doçura
Prefiro quando as baratas vêm me visitar
Eu me sinto menos sujo na companhia delas
Bem menos imundo do que estando no seu mundinho repleto de tanto lixo
Fofocas e curiosidades me remetem sempre as suas viciantes lembranças
Eu odeio que tenha me cegado e entre seus braços me perdido
Fui tolo ao permitir que de sua boca saísse o escarro que mais tarde me afogara
Recorro sempre aos urubus quando preciso de algo que eu entenda e não me iluda
Eu sei que eles voltam apenas para comer mais um pedaço de carniça de minhas pernas
Essas que foram em parte decepadas pelo câncer de suas mentiras impregnadas
A ingratidão e o desprezo ainda me ferem
Estou cansado de sentir a dor daqueles dias
Mas não existe um local para o qual eu possa fugir e me esconder
Os ratos me expulsariam de seus esgotos
Ninguém quer a companhia de um moribundo fedido
Preferem o chorume de misturas com urina e fezes do que minha desprezível secreção
A paixão e a utopia já não fazem mais parte de minha vida
Você extirpou grande parte da alegria que eu tinha no coração
Sua cara de sonsa não é mais capaz de me persuadir
As sanguessugas e os morcegos sugariam com muito mais amor o sangue de minhas veias
Se esbaldariam de verdade, fidelidade e lealdade
Sentimentos os quais eu te alimentei e você vomitou
De socos e chutes eu me reabilitaria com muito mais facilidade
Sabe... eu até senti vontade de adquirir forças para sair daquela depressão
Mas me acostumei com o sabor frio e amargo que eu sinto na degustação da solidão
As formigas em filas ordenadas quando passam riem de minha cara por me verem assim
Elas recolhem e carregam os seus restos que não faço questão nenhuma que fiquem aqui
E a minha vingança é ver que elas acreditam que levam segurança para seus lares
Que se fodam com todas essas sobras, pois dias piores ainda estão por vir, eu sei
Torço ao menos que esses me consumam e que dessa vez não me permitam sobreviver
Sinto-me como se tivesse sido jogado em uma cova e nela estou enterrado vivo
As minhocas estão cheias de terra e merda
Os hambúrgueres estão cheios delas e de restos de carnes
E eu estou cheio de carne, terra, merda e você
Minhas lágrimas não significam mais nada nem a mim mesmo
Mas no extermínio de bons sentimentos eu reconheço um delinqüente
Você é a culpada por toda essa carnificina